FLIPORTO 2009, por Antônio Campos

1. Como é se preparar para um evento da amplitude da Fliporto? A.C. - É um desafio, mas também um prazer. Sempre me apaixono pelo tema, estudo, leio, interajo. É o trabalho de um ano de contatos, planejamento. Desejei dar uma atuação mais ampla, internacionalizar, diversificar, profissionalizar e atualizar um certo modo de reunir pessoas para ler, ouvir e discutir literatura, nessas três últimas versões do evento. É preciso criar uma geração de leitores, e é para isso que se dirige uma grande parte das atividades da Fliporto.

2. Como foi o processo de construção da identidade da Fliporto e qual sua especificidade em relação a outros eventos do gênero? A.C. - A Fliporto pretende ser um elo de aproximação cultural com a América Latina interagindo com as culturas que nos influenciaram. Tem um formato próprio. Não são procurados apenas os medalhões, ao contrário, há muito espaço para o escritor que precisa de uma maior visibilidade e realiza intercâmbios. Não excluímos parceria com uma ou outra editora. O que evitamos é ficar atrelados à supremacia de alguma delas, que descaracterizaria o nosso direcionamento temático de cada ano. Além disso, considero uma visão comercial simplista ir em primeira busca logo aos dos assessores de editoras e agentes literários, que terminam por impor ao autor uma agenda sacrificada.Temos uma visão mais humanista do autor e do livro, que não entendemos como simples objeto de consumo. De fato, a maior parte de nossos convidados são envolvidos diretamente, sua aceitação em participar é consultada e decidida.

3. A Fliporto chega à sua quinta edição mostrando sua maturidade. Qual sua expectativa para o evento? A.C. - A consolidação da Fliporto no calendário internacional de festas literárias centrada no mundo iberoamericano e como a maior festa literária do Nordeste e uma das quatro maiores do Brasil.

4. Que tipos de debate a Fliporto procura instigar? A.C. - A Fliporto é baseada no diálogo entre autor e público, entre culturas, entre as artes. Traz o modelo de palestras como talk-show, sendo um diálogo e um grande intercâmbio.

5. De que forma o evento dialoga com as novas formas de produção e divulgação literárias? A.C. - A Feira de Frankfurt e outra recentemente em Madri têm discutido o crescimento da importância dos e-books no mercado editorial. A Fliporto digital abordará também o tema da interação do livro e da leitura com as novas tecnologias: internet, celular, leitores eletrônicos. O livro está mais forte do que nunca, apenas estão surgindo novos suportes, como o crescimento dos e-books. Não confundo o futuro do livro com o futuro do papel, que é o seu tradicional suporte. Nunca tantas idéias foram escritas, na era da internet. O livro eletrônico e o livro impresso irão conviver por muito tempo. Além disso, neste ano, vamos inaugurar as vídeos-conferências: a interatividade que só o mundo digital permite. Ao vivo, estaremos com a capital do país, através da Biblioteca Nacional de Brasília, e com a Itália, através da Universidade de Lecce. A democratização do evento é meta que, a cada ano, primamos em investir. Toda a programação do Congresso Literário e da Fliporto Digital será transmitida ao vivo.

6. Como e quando se deu o seu contato com a literatura e qual espaço ela ocupa atualmente em seu cotidiano? A.C. - Nasci entre livros. Costumo dizer que o livro é o maior amigo do homem e que o inimigo do livro é a falta de leitor; que culto é quem tem um bom livro ao alcance da mão e que tudo começa e termina em livro, parafraseando Malarmé.

7. A iberoamerica é o tema central da festa neste ano. Para você, que clássicos da literatura hispânica e portuguesa merecem ser eternizados, em sua biblioteca pessoal? A.C. - O Brasil é um país iberoamericano. A nossa raiz é a miscigenação. Influência portuguesa, espanhola, africana e indígena. Dom Quixote de Cervantes é uma obra fundamental. A obra de Fernando Pessoa me toca muito, pois sou apaixonado por poesia. Destacaria essas, para não me alongar.

8 .Qual o retorno financeiro e publicitário que a Fliporto está trazendo para Porto de Galinhas? A.C. - Vai consolidar Porto de Galinhas como um destino cultural. Para além do turismo de praia, a Fliporto promove o turismo que agrega valor. * Antônio Campos é o curador da Fliporto.