| Literatura
Literatura pode ser definida como a arte de criar e recriar textos , de compor
ou estudar escritos artísticos; o exercício da eloquência e da poesia; o conjunto
de produções literárias de um país ou de uma época; a carreira das letras. A palavra
Literatura vem do latim "litterae" que significa "letras", e possivelmente uma
tradução do grego "grammatikee". Em latim, literatura significa uma instrução
ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e se relaciona
com as artes da gramática, da retórica e da poética. Por extensão, se refere especificamente
à arte ou ofício de escrever de forma artística. O termo Literatura também é usado
como referência a um corpo ou um conjunto escolhido de textos como, por exemplo,
a literatura médica, a literatura inglesa, literatura portuguesa, etc. Mais produtivo
do que tentar definir Literatura talvez seja encontrar um caminho para decidir
o que torna um texto, em sentido lato, literário. A definição de literatura está
comumente associada à idéia de estética, ou melhor, da ocorrência de algum procedimento
estético. Um texto é literário, portanto, quando consegue produzir um efeito estético
e quando proporciona uma sensação de prazer e emoção no receptor. A própria natureza
do caráter estético, contudo, reconduz à dificuldade de elaborar alguma definição
verdadeiramente estável para o texto literário. Para simplificar, pode-se exemplificar
através de uma comparação por oposição. Vamos opor o texto científico ao texto
artístico: o texto científico emprega as palavras sem preocupação com a beleza,
o efeito emocional. No texto artístico,ao contrário, essa será a preocupação maior
do artista. É óbvio que também o escritor busca instruir, e perpassar ao leitor
uma determinada idéia; mas, diferentemente do texto científico, o texto literário
une essa instrução à necessidade estética que toda obra de arte exige. O texto
científico emprega as palavras no seu sentido dicionarizado, denotativamente,
enquanto o texto artístico busca empregar as palavras com liberdade, preferindo
o seu sentido conotativo, figurado. O texto literário é, portanto, aquele que
pretende emocionar e que, para isso, emprega a língua com liberdade e beleza,
utilizando-se, muitas vezes, do sentido metafórico das palavras. A compreensão
do fenômeno literário tende a ser marcada por alguns sentidos, alguns marcados
de forma mais enfática na história da cultura ocidental, outros diluídos entre
os diversos usos que o termo assume nos circuitos de cada sistema literário particular.
Assim encontramos uma concepção "clássica", surgida durante o Iluminismo (que
podemos chamar de "definição moderna clássica", que organiza e estabelece as bases
de periodização usadas na estruturação do cânone ocidental); uma definição "romântica"
(na qual a presença de uma intenção estética do próprio autor torna-se decisiva
para essa caracterização); e, finalmente, uma "concepção crítica" (na qual as
definições estáveis tornam-se passíveis de confronto, e a partir da qual se buscam
modelos teóricos capazes de localizar o fenômeno literário e, apenas nesse movimento,
"defini-lo"). Deixar a cargo do leitor individual a definição implica uma boa
dose de subjetivismo, (postura identificada com a matriz romântica do conceito
de "Literatura"); a menos que se queira ir às raias do solipsismo, encontrar-se-á
alguma necessidade para um diálogo quanto a esta questão. Isto pode, entretanto,
levar ao extremo oposto, de considerar como literatura apenas aquilo que é entendido
como tal por toda a sociedade ou por parte dela, tida como autorizada à definição.
Esta posição não só sufocaria a renovação na arte literária, como também limitaria
excessivamente o corpus já reconhecido. De qualquer forma, destas três fontes
(a "clássica", a "romântica" e a "crítica") surgem conceitos de literatura, cuja
pluralidade não impede de prosseguir a classificações de gênero e exposição de
autores e obras. Etimologia
O termo provém do latim litteratura, "arte de escrever, literatura", a partir
da palavra latina littera, "letra". Alguns
Conceitos "Arte Literária é mimese (imitação); é a arte que
imita pela palavra." (Aristóteles, Grécia Clássica); A Literatura obedece a leis
inflexíveis: a da herança, a do meio, a do momento." (Hipolite Taine, pensador
determinista, metade do século XIX); "A Literatura é arte e só pode ser encarada
como arte." (Doutrina da arte pela arte, fins do século XIX); "O poeta sente as
palavras ou frases como coisas e não como sinais, e a sua obra como um fim e não
como um meio; como uma arma de combate." (Jean-Paul Sartre, filósofo francês,
século XX; "É com bons sentimentos que se faz Literatura ruim." (André Gide, escritor
francês, século XX; "A distinção entre Literatura e as demais artes vai operar-se
nos seus elementos intrínsecos, a matéria e a forma do verbo." (LIMA, Alceu Amoroso.
A estética literária e o crítico. 2. ed. Rio de Janeiro, AGIR, 1954. p 54-5.)
"A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada
através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas,
que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. Passa, então,
a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade
de onde proveio." (COUTINHO, Afrânio. Notas de teoria literária. 2. ed. Rio de
Janeiro, Civilização Brasileira, 1978. p. 9-10) Formas
literárias Poesia Provavelmente a mais
antiga das formas literárias, a poesia consiste no arranjo harmônico das palavras.
Geralmente, um poema organiza-se em versos, caracterizados pela escolha precisa
das palavras em função de seus valores semânticos (denotativos e, especialmente,
conotativos) e sonoros. É possível a ocorrência da rima, bem como a construção
em formas determinadas como o soneto e o haikai. Segundo características formais
e temáticas, classificam-se diversos gêneros poéticos adotados pelos poetas: Peças
de Teatro O teatro, forma literária clássica, composta basicamente
de falas de um ou mais personagens, individuais (atores e atrizes) ou coletivos
(coros), destina-se primariamente a ser encenada e não apenas lida. Até um passado
relativamente recente, não se escrevia a não ser em verso. Na tradição ocidental,
as origens do teatro datam dos gregos, que desenvolveram os primeiros gêneros:
a tragédia e a comédia. Mudanças vieram: novos gêneros, como a ópera, que combinou
esta forma com (pelo menos) a música; inovações textuais, como as peças em prosa;
e novas finalidades, como os roteiros para o cinema. A imensa maioria das peças
de teatro está baseada na dramatização, ou seja, na representação de narrativas
de ficção por atores encarnando personagens.Que por acaso não podem se dar bem
com filmes, pois os filmes são muito diferentes de teatros que não nos possibilitam
ver alem do certo, que não nos permitem interpretar. Elas podem ser: Tragédia
Drama Comédia Ópera Ficção em Prosa
A literatura de ficção em prosa, cuja definição mais crua é o texto "corrido",
sem versificação, bem como suas formas, são de aparição relativamente recente.
Pode-se considerar que o romance, por exemplo, surge no início do século XVII
com Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes Saavedra. Subdivisões, aqui,
dão-se em geral pelo tamanho e, de certa forma, pela complexidade do texto. Entre
o conto, "curto", e o romance, "longo", situa-se por vezes a novela. Gêneros
Literários A linguagem é o veículo utilizado para se escrever
uma obra literária. Escrever obras literárias é trabalhar com a linguagem. Os
Gêneros Literários são as várias formas de trabalhar a linguagem, de registrar
a história, e fazer com que a essa linguagem seja um instrumento de conexão entre
os diversos contextos literários que estão dispersos ao redor do mundo. Literatura
de informação: A Literatura de Informação é um segmento do Quinhentismo, que é
a denominação das manifestações literárias ocorridas em território brasileiro
durante o século XVI. Além da Literatura de Informação, foi de destaque ao Quinhentismo
a chamada Literatura dos Jesuítas. Iniciou-se no Brasil e durou de 1500 à 1601.
Escolas
literárias brasileiras Quinhentismo (século XVI)
Representa a fase inicial da literatura brasileira, pois ocorreu no começo da
colonização. Representante da Literatura Jesuíta ou de Catequese, destaca-se Padre
José de Anchieta com seus poemas, autos, sermões cartas e hinos. O objetivo principal
deste padre jesuíta, com sua produção literária, era catequizar os índios brasileiros.
Nesta época, destaca-se ainda Pero Vaz de Caminha, o escrivão da frota de Pedro
Álvares Cabral. Através de suas cartas e seu diário, elaborou uma literatura de
Informação (de viagem) sobre o Brasil. O objetivo de Caminha era informar o rei
de Portugal sobre as características geográficas, vegetais e sociais da nova terra.
Barroco (século XVII)
Essa época foi marcada pelas oposições e pelos conflitos espirituais. Esse contexto
histórico acabou influenciando na produção literária, gerando o fenômeno do barroco.
As obras são marcadas pela angústia e pela oposição entre o mundo material e o
espiritual. Metáforas, antíteses e hipérboles são as figuras de linguagem mais
usadas neste período. Podemos citar como principais representantes desta época:
Bento Teixeira, autor de Prosopopéia; Gregório de Matos Guerra (“Boca do Inferno”),
autor de várias poesias críticas e satíricas; e padre Antônio Vieira, autor de
Sermão de Santo Antônio ou dos Peixes. Neoclassicismo
ou Arcadismo (século XVIII) O século XVIII é marcado pela
ascensão da burguesia e de seus valores. Esse fato influenciou na produção da
obras desta época. Enquanto as preocupações e conflitos do barroco são deixados
de lado, entra em cena o objetivismo e a razão. A linguagem complexa é trocada
por uma linguagem mais fácil. Os ideais de vida no campo são retomados (fugere
urbem = fuga das cidades) e a vida bucólica passa a ser valorizada, assim como
a idealização da natureza e da mulher amada. As principais obras desta época são:
Obra Poética de Cláudio Manoel da Costa, O Uraguai de Basílio da Gama, Cartas
Chilenas e Marília de Dirceu de Tomás Antonio Gonzaga, Caramuru de Frei José de
Santa Rita Durão. Romantismo (século XIX)
A modernização ocorrida no Brasil, com a chegada da família real portuguesa em
1808, e a Independência do Brasil em 1822 são dois fatos históricos que influenciaram
na literatura do período. Como características principais do romantismo, podemos
citar: individualismo, nacionalismo, retomada dos fatos históricos importantes,
idealização da mulher, espírito criativo e sonhador, valorização da liberdade
e o uso de metáforas. As principais obras românticas que podemos citar: O Guarani
de José de Alencar, Suspiros Poéticos e Saudades de Gonçalves de Magalhães, Espumas
Flutuantes de Castro Alves, Primeiros Cantos de Gonçalves Dias. Outros importantes
escritores e poetas do período: Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo, Junqueira
Freire e Teixeira e Souza. Realismo -
Naturalismo (segunda metade do século XIX) Na segunda metade
do século XIX, a literatura romântica entrou em declínio, juntos com seus ideais.
Os escritores e poetas realistas começam a falar da realidade social e dos principais
problemas e conflitos do ser humano. Como características desta fase, podemos
citar: objetivismo, linguagem popular, trama psicológica, valorização de personagens
inspirados na realidade, uso de cenas cotidianas, crítica social, visão irônica
da realidade. O principal representante desta fase foi Machado de Assis com as
obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro e O Alienista.
Podemos citar ainda como escritores realistas Aluisio de Azevedo autor de O Mulato
e O Cortiço e Raul Pompéia autor de O Ateneu. Parnasianismo
(final do século XIX e início do século XX) O parnasianismo
buscou os temas clássicos, valorizando o rigor formal e a poesia descritiva. Os
autores parnasianos usavam uma linguagem rebuscada, vocabulário culto, temas mitológicos
e descrições detalhadas. Diziam que faziam a arte pela arte. Graças a esta postura
foram chamados de criadores de uma literatura alienada, pois não retratavam os
problemas sociais que ocorriam naquela época. Os principais autores parnasianos
são: Olavo Bilac, Raimundo Correa, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho.
Simbolismo (fins do século XIX)
Esta fase literária inicia-se com a publicação de Missal e Broquéis de João da
Cruz e Souza. Os poetas simbolistas usavam uma linguagem abstrata e sugestiva,
enchendo suas obras de misticismo e religiosidade. Valorizavam muito os mistérios
da morte e dos sonhos, carregando os textos de subjetivismo. Os principais representantes
do simbolismo foram: Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens. Pré-Modernismo
(1902 até 1922) Este período é marcado pela transição, pois
o modernismo só começou em 1922 com a Semana de Arte Moderna. Está época é marcada
pelo regionalismo, positivismo, busca dos valores tradicionais, linguagem coloquial
e valorização dos problemas sociais. Os principais autores deste período são:
Euclides da Cunha (autor de Os Sertões), Monteiro Lobato, Lima Barreto, autor
de Triste Fim de Policarpo Quaresma e Augusto dos Anjos, paraibano, autor do livro
único Eu e Outros Poemas. Modernismo (1922
a 1930) Este período começa com a Semana de Arte Moderna de 1922. As principais
características da literatura modernista são: nacionalismo, temas do cotidiano
(urbanos), linguagem com humor, liberdade no uso de palavras e textos diretos.
Principais escritores modernistas: Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Cassiano
Ricardo, Alcântara Machado e Manuel Bandeira. Neo-Realismo
(1930 a 1945) Fase da literatura brasileira na qual os escritores
retomam as críticas e as denúncias aos grandes problemas sociais do Brasil. Os
assuntos místicos, religiosos e urbanos também são retomados. Destacam-se as seguintes
obras: Vidas Secas de Graciliano Ramos, Fogo Morto de José Lins do Rego, O Quinze
de Raquel de Queiróz e O País do Carnaval de Jorge Amado. Os principais poetas
desta época são Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Cecilia Meireles.
Pós-modernismo brasileiro
Já consolidados a partir de 1930 , os ideais modernistas vão gradativamente se
transformando, até desaparecer por completo aquela visão de ruptura com o tradicional,
de destruição dos padrões vigentes. Novos caminhos são buscados, novos autores
surgem. Cada vez mais presente, em todas as obras, a realidade brasileira. Surge
a Geração de 45, nova safra de escritores brasileiros. No Brasil, a partir da
segunda metade da década de 40, a ficção e a poesia apresentam um novo estilo,
principalmente no que se refere ao tratamento que os escritores dão à linguagem:
preocupação com o apuro formal, restauração da dignidade da linguagem e dos temas.
Dentre esses escritores destacam-se, na prosa, João Guimarães Rosa e Clarice Lispector,
e na poesia, João Cabral de Melo Neto. Contexto
histórico: O período que inicia na década de 40 é marcado
por importantes acontecimentos mundiais. Durante a segunda guerra mundial, de
1939 a 1945, o Brasil procura manter-se neutro. É, então, presidente do País o
ditador Getúlio Vargas, que comanda o Estado Novo. Porém o ataque-surpresa dos
nazistas a cinco navios mercantes brasileiros, em agosto de 1942, obriga o Brasil
a abandonar a neutralidade e posicionar-se em face do conflito. Há o rompimento
das relações diplomáticas e comerciais do Brasil com a Alemanha, a Itália e o
Japão. Em meados de 1949, sob o comando de Mascarenhas de Morais, parte para a
Itália a Força Expedicionária Brasileira. Finda a guerra, o País perde 2 mil soldados
e 37 navios. Mas, com os Aliados, é vitorioso contra a opressão e a violência.
Em 1945, volta a reinar a paz mundial. Com a vitória dos Aliados ao fim da segunda
grande guerra, a permanência da ditadura de Getúlio Vargas torna-se insustentável.
Em 1945, o ditador renuncia e retira-se para a sua estância em São Borja (RS).
A chefia da Nação é entregue ao presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, o ministro
José Linhares, até que um novo presidente fosse eleito: Eurico Gaspar Dutra.Uma
ampla anistia política assinala a redemocratização do País e formam-se, então,
novos partidos. Ecos da grande guerra e da ditadura nacional manifestam-se nos
poemas de Carlos Drummond de Andrade, "A Rosa do Povo", e no livro de João Cabral
de Melo Neto, "O Engenheiro", ambos publicados em 1945. Contudo, o estilo chamado
Pós-Modernismo ainda não é aceito por todos os estudiosos. Alguns acreditam que
após a 2ª Guerra Mundial (1945) o tempo Pós-Moderno já seria uma realidade; para
outros, ainda não saimos da Modernidade (e estaríamos vivendo uma 3ª fase do Modernismo).
Na literatura brasileira podemos perceber características que se diferem do Modernismo
após a década de 50. Há uma intensificam dos traços Modernistas no Movimento da
Poesia Concreto e Instauração-Práxis. A transição do Modernismo para o Pós-Modernismo
"se evidencia no Tropicalismo e no Movimento do Poema-Processo. Os traços pós-modernos
podem ser encontrados mais acentuadamente em alguns textos da poesia marginal
e na prosa de determinados autores contemporâneos"1. A poesia marginal é feita
por jovens que buscam uma liberdade de criação e de palavras, além de uma liberdade
editorial (pois publicam seus textos de forma artesanal ou em folhetos). "Por
sua própria natureza, a produção 'marginal' ou 'independente' é bastante volumosa
e diversificada, ainda que alguns de seus autores já tenham, em 1987, obras publicadas
pelas editoras convencionais"2. Podemos ainda citar entre os movimentos de Vanguarda
do Pós-Modernismo: o Neoconcretismo, a poesia ligada à revista Tendência, a produção
poética de Violão de rua e os cultores da Arte Postal. As principais características
desse estilo são: intensificação do ludismo na criação literária, utilização deliberada
da intertextualidade, ecletismo estilístico, exercício da metalinguagem, fragmentarismo
textual, na narrativa há uma autoconsciência e auto-reflexão, radicalização de
posições anti-racionalistas e antiburguesas. Os principais autores desse estilo
literário são Guimarães Rosa, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Nelson
Rodrigues, Adélia Prado, Autran Dourado, Augusto e Haroldo de Campos, João Ubaldo
Ribeiro, Mário Quintana, entre outros... |